Depoimento - Dr. Sérgio Mourão

Proceder em termos de investigação pictórica é uma prática que não é tarefa fácil de concretizar, quando, além da pintura, se exerce uma profissão jurídica responsável e repleta de êxitos.
Falamos, ao mesmo tempo, porque são uma e a mesma pessoa, a do Advogado Mário Silva e a do pintor Mário Riva, muito em particular do seu nome artístico, cuja obra está implícita numa invulgar sensibilidade e numa técnica cromática que é relevante forte de experiências meta linguísticas.
As textualizações do pintor Mário Riva já são obras referenciadas por um saber oficinal e temático em que o conceito de paráfrase plástica aproxima o seu trabalho artístico de algumas soluções que enunciam um estilo, uma identidade e um exercício de observação, de reflexão e de profundidade.
Mário Riva, para lá de um excelente observador da realidade, é principalmente um pintor da recolha de paisagens humanas e naturais cuja integração ficcional e criativa exerce no observador da sua obra a influência de uma projecção meta linguística que edifica um sistema plástico de sedutoras sugestões em que impera a intertextualidade expressionista e lírica.
A estruturação da sua obra, fundamentalmente a cromática, alcança índices de uma imensa musicalidade e, em simultâneo, um forte efeito estético em que alguns lances certeiros se aproximam de vibrantes momentos de revoltas e de tempestades.
É como se a alma humana vivesse num abismo obscuro e viscoso, sempre na ânsia de encontrar na superfície do mundo o ansiado grito de liberdade, como sangue da vida espiritual que permite a cada ser sentir, na alma do outro e também da própria vida, a imagem subtil de Deus e da verdade.
Dizer nestas textualizações plásticas, conseguidas em diferentes técnicas, uma espécie de pré-texto representativo da tradição artística ocidental mesclada de contemporaneidade, parece na obra de Mário Riva uma manifesta coincidência entre o pensamento, a filosofia e a sensibilidade.
E é, sem dúvida, esta virtude de pintor, como se o destino tivesse um sentido de mãos invisíveis a tecer cores e formas, o verdadeiro filão da obra pictórica de Mário Riva. O sinal evidente dos limites de uma sucessão inesperada de momentos de fruição numa aventura poética, em que o pintor assume pessoalmente o entendimento do espaço, dos teores lumínicos e, sobretudo, a substantivação de contornos cosmológicos. São estes atributos que exercem um papel decisivo no campo de vibrações, cujo plano metafísico faz parte da vida do ser e da vida da terra. Teores tímbricos exibidos de materiais, cores e recursos plásticos que há muito conquistaram a alma do homem e do artista.
Dr. Sérgio Mourão
"Fúria" 1,20x70


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