Sunday, March 26, 2006

Depoimento - Dr. Pereira da Graça


MÁRIO RIVA emerge da rotina profissional, quebrando-lhe o espartilho limitativo, através de manifestações de apurada sensibilidade, que se concretizam, nomeadamente, através da pintura.
Em rasgos espontâneos de inspiração ardente, a acção pictórica flui como lava rúbida, a aliviar enormes tensões anímicas, ávida de comunicação.
A sinceridade, a verdade da expressão entorna-se sobre as telas virgens em pinceladas indiferentes a escolas predeterminadas, dirigidas somente por impulsos do subconsciente surpreendentemente activo.
Assim, da suavidade de paisagens figurativas passa-se, por efeito do cadinho das emoções, a transfigurações da Natureza, tanto na forma como na composição cromática, até se alcançar, por vezes, o simbolismo abstraccionista, quase delirante, mesmo quando se trabalha a figura humana. Se falássemos de música – que o Autor também cultiva – dir-se-ia que a serenidade dos tons maiores é frequentemente enriquecida pela plangência angustiada de acordes menores, numa ebulição plástica alimentada pelo talento criador.
Numa permanente evolução, os meios de expressão plástica são, por vezes, enriquecidos pela mistura de elementos retirados simultaneamente à pintura e à escultura, obtendo-se uma curiosa terceira dimensão real.

Pereira da Graça
Novembro de 2003

"Tuaregs"

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