Sunday, March 26, 2006

Depoimento - Dr. Joaquim Monteiro da Rocha


A Delegação de Gaia da Ordem não quis deixar de se associar à Semana do Advogado que decorre por todo o País e, com relevo, na área do Conselho Distrital do Porto.
E fê-lo privilegiando a vertente lúdica – cultural em que não é demais insistir para atenuar a imagem, colada à Ordem, de instituição de semblante demasiado carregado e porte disciplinador.
Os cultores do Direito também são alegres, divertidos e imaginativos e têm direito a exteriorizar esses sentimentos nas instituições a que pertencem.
Hoje assim acontece em Gaia. Bem
E acontece não pelo recurso à prata ou ouro da casa, mas pela magia faiscante de um diamante multifacetado no Direito, na Pintura e na Música que dá pelo nome de Mário Ribeiro da Silva.
Não preciso de me demorar na demonstração do que acabo de dizer porque, ao longo desta jornada nocturna, vozes mais credenciadas que eu o porão em destaque e porque o próprio, aqui presente, com a sua obra, a sua intervenção e a sua actuação não vai deixar espaço para que paire a mínima dúvida a este respeito.
A todos agradeço a presença neste acto.
Permitam, porém, que faça uma referência especial de agradecimento, pela sua generosa participação, ao emérito Presidente desta Delegação, Sr. Dr. Vasco Lencastre, ao Conselheiro do Supremo Tribunal da Justiça Sr. Dr. Pereira da Graça, ao crítico de Arte, Sr. Dr. Sérgio Mourão e ainda fechando com chave de Ouro ao Grupo Instrumental do Coral da Justiça que saúdo na pessoa do seu Presidente, Sr. Dr. Ângelo de Carvalho.
Que seja do vosso agrado esta tríplice sessão de pintura, conferência e concerto, no âmbito da Semana do Advogado e no dia do seu Patrono, S. Ivo. O Santo Patrono agradecerá este concentração de actividades no seu dia.

Dr. Joaquim Monteiro da Rocha

"Graal" 2,03x70

Depoimento - Dr. Vasco Lencastre


Entregaram-me a incumbência de apresentar o pintor Mário Riva e a sua obra, só pode resultar ou de Maquiavélicos intentos de baralhar V. Exªs ou de amizade disposta a perdoar as asneiras que eu diga.
Vou pela segunda hipótese e espero a Vossa complacência e a do Artista.
Para mim a arte é a capacidade que têm meia dúzia de eleitos de transmitir emoções.
Ao ver um quadro, ao ouvir uma peça musical, ou mesmo ao cheirar um perfume ou saborear um manjar, tem que se estabelecer uma empatia positiva sob pena de se não criar emoção, mas tão só desinteresse.
Os quadros de Mário Riva criam emoções e transmitem sentimentos.
Nele, parafraseando Gaudi, toda a criação é sedutora.
E vagueando pelos seus quadros seguimos o artista na sua visão dos sítios que o impressionaram, vivemos, com facilidade e apreensão e sem fastio, tanto os momentos de dor ou de cólera, como aqueles em que nos transmite uma quietude e uma serenidade que, do seu interior, se plasmou na tela.
Gosto, sinceramente, dos seus azuis fortes, quase agressivos, que transmitem a força de um céu implacável.
Como gosto dos seus tons rosa, de uma suavidade que diria feminina, lembrando duendes envoltos em fiapos de sol.
E o mar, para Mário Riva é como um Deus, ora poderoso e tonitruante, ora meigo, até ternurento, dormitante ao pôr do sol.
Minhas Senhoras e Meus Senhores
Meu caro Mário Silva
Como bem perceberam, não sou crítico de arte.
Sérgio Mourão, diz, com conhecimento de causa, o que eu não fui capaz de dizer.
Mas, apesar da minha ignorância, ou talvez por isso, aceitei o repto.
Espero da vossa generosidade, o perdão para este meu atrevimento.
E, como de massada já chega, permitam-me, para terminar, que dê os parabéns ao meu e nosso querido Amigo Mário Silva, multifacetado Mestre, pela beleza da sua obra, pela gentileza e afabilidade do seu carácter, enfim, por ser como é, pela sua amizade.

Dr. Vasco Lencastre


"TENERIF PICO DO TEIDE"

Depoimento - Dr. Duarte Klut

MÁIO RIVA – PINTOR

O PLANETA DE UM REVOLUCIONÁRIO TELEOLÓGICO

MÁRIO SILVA – ADVOGADO – INVESTIGADOR E MÚSICO!!!

MÁRIO RIVA – PINTOR

DOIS MÁRIOS – Um só Homem: sonhador; preocupado; ocupado com os fins e finalidades da sua / nossa Existência, em suma, com a HUMANIDADE – HOMINI, QUO VADIS?
O Torvelinho da existência patenteado nas dualidades – Paz/Guerra; Amor / Ódio; Calma / Tumulto; Ordem/ Caos; Alfa / Ómega – é retratado nos variegados quadros de Mário Riva – na sua constante busca para alcançar a Resposta, no seu afã revolucionário. Revolucionário no verdadeiro contexto do conceito de REVOLUÇÃO – ou seja a Mudança Integral da SOCIEDADE em constante sobressalto na busca de um PROJECTO Inacabado / Inalcançado!!!
- Para Quê Nascemos?
- Para Quê Vivemos?
- Porque Perecemos?
Destas interrogações emergem as dúvidas dos Mários que conduzem à sua investigação, à sua constante PREOCUPAÇÃO / INQUIETAÇÃO:
- O que é a Vida?
- Para que serve?
- Como acaba?
- ACABA? – Será que Acaba?!! – Como admiti-lo?
A sua perturbação e preocupação Teleológica, concretamente apreendida na sua escrita, sentida na sua música, é (será?) mais abstracta na sua Pintura de uma PALETA multifacetada, de traços muito peculiares – reveladores de anseios, dúvidas, indagações, mas também revelando sempre a inconstante Procura da (s) Eterna (s) Resposta (s).
São os Rostos invisíveis, mas perceptíveis por detrás das figuras de costas; outras vezes presentes, mas duplas, ou ainda a Imagem mais diáfana da figura feminina.
A Obra Pictórica rica na sua diversidade – (Intemporal, mas sempre localizável nos nossos Tempo e Espaço) nas suas soluções técnicas e nas suas cores – ora fortíssimas, ora suaves, ora ténues, mais quentes ou mais frias – revela – nos os seus Estados de Alma, os contrastes da Vida – enfim, as suas Angústias e talvez também as suas Decepções! Entre muitos exemplos possíveis, o quadro dedicado a Veneza parece demonstrar o que afirmamos! – No primeiro pleno, por detrás das Gôndolas que saltam nas águas revoltas – contempla-se uma fina e austera Veneza – retratada na Arquitectura Geométrica da Renascença – realçando o Caos e a Ordem – mas também a fé na Esperança – revelada nas tonalidades cromáticas – de que à Tempestade se seguirá a Bonança. Eis a visão do Revolucionário – que critica, mas que tem a Esperança, apesar da Dúvida, de que o Mundo caótico da Actualidade mudará para Melhor – tal como Rio (RIVA) que, apesar dos redemoinhos, flui para a FOZ ao encontro desejado da sua quietude e da sua serenidade.
Os Mários interrogam-se a procurarem também a sua serenidade, a sua Finalidade Existencial! Essa busca tem como demiurgo o SONHO – que, talvez seja o REAL e não o VIRTUAL como sempre afirmamos. A Revolução dos Mários talvez seja essa – demonstrar que a REALIDADE, como a concebemos, não Existe! É ela também Virtual. O que existem são Realidades várias que buscam uma VERDADE a que talvez o HOMEM nunca terá acesso, por Incapacidade Nata!!!
Será que é isto que o (s) Mário (s) nos quer (em) Revelar, Dizer, Demonstrar?
Nas minhas incertezas e incapacidade para caracterizar uma Vida e Obra tão rica, complexa e profunda, porventura poderei concluir com esta ideia:
O (s) Mário (s) – Ser que se completa na Escrita, na Música e que, na sua Paleta, transforma todas estas riquíssimas formas de expressão no seu PLANETA!!!

Com estima e a mais profunda admiração do:
Duarte Klut

Depoimento - Dr. Sérgio Mourão


Proceder em termos de investigação pictórica é uma prática que não é tarefa fácil de concretizar, quando, além da pintura, se exerce uma profissão jurídica responsável e repleta de êxitos.
Falamos, ao mesmo tempo, porque são uma e a mesma pessoa, a do Advogado Mário Silva e a do pintor Mário Riva, muito em particular do seu nome artístico, cuja obra está implícita numa invulgar sensibilidade e numa técnica cromática que é relevante forte de experiências meta linguísticas.
As textualizações do pintor Mário Riva já são obras referenciadas por um saber oficinal e temático em que o conceito de paráfrase plástica aproxima o seu trabalho artístico de algumas soluções que enunciam um estilo, uma identidade e um exercício de observação, de reflexão e de profundidade.
Mário Riva, para lá de um excelente observador da realidade, é principalmente um pintor da recolha de paisagens humanas e naturais cuja integração ficcional e criativa exerce no observador da sua obra a influência de uma projecção meta linguística que edifica um sistema plástico de sedutoras sugestões em que impera a intertextualidade expressionista e lírica.
A estruturação da sua obra, fundamentalmente a cromática, alcança índices de uma imensa musicalidade e, em simultâneo, um forte efeito estético em que alguns lances certeiros se aproximam de vibrantes momentos de revoltas e de tempestades.
É como se a alma humana vivesse num abismo obscuro e viscoso, sempre na ânsia de encontrar na superfície do mundo o ansiado grito de liberdade, como sangue da vida espiritual que permite a cada ser sentir, na alma do outro e também da própria vida, a imagem subtil de Deus e da verdade.
Dizer nestas textualizações plásticas, conseguidas em diferentes técnicas, uma espécie de pré-texto representativo da tradição artística ocidental mesclada de contemporaneidade, parece na obra de Mário Riva uma manifesta coincidência entre o pensamento, a filosofia e a sensibilidade.
E é, sem dúvida, esta virtude de pintor, como se o destino tivesse um sentido de mãos invisíveis a tecer cores e formas, o verdadeiro filão da obra pictórica de Mário Riva. O sinal evidente dos limites de uma sucessão inesperada de momentos de fruição numa aventura poética, em que o pintor assume pessoalmente o entendimento do espaço, dos teores lumínicos e, sobretudo, a substantivação de contornos cosmológicos. São estes atributos que exercem um papel decisivo no campo de vibrações, cujo plano metafísico faz parte da vida do ser e da vida da terra. Teores tímbricos exibidos de materiais, cores e recursos plásticos que há muito conquistaram a alma do homem e do artista.

Dr. Sérgio Mourão

"Fúria" 1,20x70

Depoimento - Dr. Pereira da Graça


MÁRIO RIVA emerge da rotina profissional, quebrando-lhe o espartilho limitativo, através de manifestações de apurada sensibilidade, que se concretizam, nomeadamente, através da pintura.
Em rasgos espontâneos de inspiração ardente, a acção pictórica flui como lava rúbida, a aliviar enormes tensões anímicas, ávida de comunicação.
A sinceridade, a verdade da expressão entorna-se sobre as telas virgens em pinceladas indiferentes a escolas predeterminadas, dirigidas somente por impulsos do subconsciente surpreendentemente activo.
Assim, da suavidade de paisagens figurativas passa-se, por efeito do cadinho das emoções, a transfigurações da Natureza, tanto na forma como na composição cromática, até se alcançar, por vezes, o simbolismo abstraccionista, quase delirante, mesmo quando se trabalha a figura humana. Se falássemos de música – que o Autor também cultiva – dir-se-ia que a serenidade dos tons maiores é frequentemente enriquecida pela plangência angustiada de acordes menores, numa ebulição plástica alimentada pelo talento criador.
Numa permanente evolução, os meios de expressão plástica são, por vezes, enriquecidos pela mistura de elementos retirados simultaneamente à pintura e à escultura, obtendo-se uma curiosa terceira dimensão real.

Pereira da Graça
Novembro de 2003

"Tuaregs"

Bem Vindos ao espaço de pintura de Mário Riva


MÁRIO RIBEIRO DA SILVA nasceu em Penafiel em Dezembro de 1949 e licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1972. Versando sobre o tema “Obras de Arte e Criminalidade obteve o grau académico de MESTRE DE DIREITO em 2003, tendo feito investigação nas Universidades de Columbia, New York, Laval (Quebecq – Canadá), Sorbone (Paris) Colégio de Abogados da Catalunha (Barcelona) Unesco (Paris), entre vários outros locais.

Durante a permanência em Coimbra estudou Belas Artes, que viria a abandonar para se dedicar por completo à Música. Foi solista da orquestra de Câmara CARLOS SEIXAS e, com a mesma realizou concertos em Portugal, Madeira e Açores, Estados Unidos da América, Inglaterra, França, Luxemburgo, Itália, Grécia, Angola, Moçambique, Tailândia, Macau e Japão. É membro activo do Grupo Instrumental do Grupo Coral da Justiça do Porto.

Advogado por profissão; na pintura, paixão adiada, surge com o pseudónimo de MÁRIO RIVA.

Foi convidado a expor na GAIARTE, na Exposição de Artes Plásticas realizada no Palácio da Justiça do Porto, na GALERIA DOS LÓIOS, na Galeria ÉPOCA na Guarda, na Galeria SOLVERDE em ESPINHO, na CAVE DAS ARTES DA ORDEM DOS ADVOGADOS – PORTO, colaborou em 2002 na 1ª Mostra de pintura do Aldeamento Suave-Mar em Esposende, em Maio de 2003, apresentou no Palácio da Justiça de Vila Nova de Gaia, a exposição “Percursos”.

Está representado em colecções no país e no estrangeiro.